terça-feira, 18 de agosto de 2015

"O Asno de Ouro" - Neila Mesquita comenta sobre o homem diante da gravidez e do parto

Em maio tivemos o segundo encontro do nosso Clube. Na ocasião, Neila Mesquita trouxe suas observações sobre "O Asno de Ouro", de Marie-Louise von Franz.
 
Ela nos desenhou um resumo do romance de Lúcio Apuleio, o romance em que von Franz se baseou para sua análise sobre a realização do feminino no homem. Ao mesmo tempo, Neila também nos resumiu o ponto de vista da autora suíça. Riquíssimos ambos os textos, o original latino e a análise junguiana.
 
O comentário da nossa curadora, no entanto, privilegiou certos aspectos do texto, trazendo a atenção do público assistente para as relações dos homens com os eventos perinatais: a gravidez, o puerpério, o parto, o sexo.
 
Em certo ponto de vista, uma criança pode ser vista como a encarnação de uma sizígia. Ela é resultado do encontro entre os opostos mulher e homem. Todo o ciclo perinatal potencialmente constela essa situação de sizígia, significando possibilidade de ampliação de consciência para todos os envolvidos, não apenas para a mãe. Esse foi o fundamento da argumentação da comentadora nesse encontro.
 
Movimentos como o da humanização do parto, que pretendem que um maior nível de tomada de decisão seja atribuído à gestante, minorando o quanto possível a autoridade médica e hospitalar, representariam um enorme avanço quanto ao desenvolvimento da personalidade feminina. Afinal de contas, amadurecer, em boa parte, significa ser capaz de tomar decisões e responder por elas.
 
No entanto, enquanto o companheiro não encontrar seu lugar na situação, talvez o quadro reste incompleto. O homem diante da gravidez e do parto, tende a perder sua voz humana: calando-se ou relinchando autoritarismos. Sua relação com a mulher gestante muitas vezes distancia-se inclusive fisicamente. Preconceito, medo ou desinformação fazem com se evite mesmo "manter relações".
 
Este e outros aspectos foram trazidos pela comentadora no dia 18 de maio último. Para mais informações, recomenda-se a leitura dos livros (tanto o de Apuleio, quanto o de von Franz). Também é possível contato com a comentadora.
 
Nosso próximo encontro será em setembro, dia 14. Nistai Nascimento comentará "O Mundo das Imagens" de Nise da Silveira. Até lá!
 

sábado, 14 de março de 2015

Inauguração do Clube com Selene Mazza




Nossa, que ansiedade, o primeiro encontro do Clube do Livro Junguiano é depois de amanhã, segunda-feira!

Quem inaugura é a psicóloga Selene Mazza, que trará seu ponto de vista a respeito do livro "Sobre Sentimentos e a Sombra", constituído de entrevistas com C. G. Jung.

Sobre ela, um pequeno currículo nos dá mais algumas informações:
É Doutora em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, na Área de Concentração: Saúde, ciclos de vida e sociedade, Linha de Pesquisa: Ciências sociais, saúde pública e questões contemporâneas. É graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (1989). Tem especialização em Psicologia Junguiana pela Universidade de Ribeirão Preto/IBEHE(1997) e mestrado em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará (2002). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia da saúde atuando principalmente nos seguintes temas: psicologia social, saúde pública, saúde mental e psicoterapia junguiana. Docente do Centro Universitário Estácio do Ceará e Faculdade Maurício de Nassau (Graduação); do Centro Universitário Christus (Pós-graduação).

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

André Dantas comenta seu novo livro

Novidade exclusiva: André Dantas antecipando um pouco do que guarda para nós em seu novo livro. Dialética da Modernidade I será lançado no ano que vem e o próprio autor fará os comentários no Clube, em novembro. Ah, que curiosidade!


Este é um livro sobre história das ideias. Mais precisamente é um livro sobre o modo como as transformações históricas pela quais passaram as ideias de Deus e de arquétipo contribuíram para a gestação de ideias centrais à modernidade como as ideias de indivíduo, natureza, sentimento, trabalho, ciência, estado e mercado. Isso implica afirmar que a modernidade é um processo secularizante que nasceu paradoxalmente a partir das mudanças no modo como a religião era encarada. A religiosidade dentro da qual a modernidade foi gestada é muitas vezes pensada como um detalhe extrínseco. A tese desse livro afirma, ao contrário, que muitas das ideias modernas surgiram como uma tentativa de resolver problemáticas religiosas. A falta de compreensão do contexto religioso em que elas surgiram impossibilita, então, uma compreensão mais aprofundada da sua razão ser, uma compreensão do como, do por que e do para quê elas passaram a existir.
Esse estudo das teses filosófico-religiosas que originaram a modernidade é feito partir de uma leitura dialética da psicologia de C.G.Jung. Essa leitura dialética é necessária porque tanto Jung quanto boa parte dos pós-junguianos trabalham com uma noção de arquétipo ainda muito presa à imaginação. Isso faz com que a interpretação arquetípica funcione amplificando temas a partir de mitos antigos. Muitas vezes isso resulta de uma confusão entre as imagens arquetípicas e o arquétipo em si que faz com que a mitologia, uma dentre as muitas formas de manifestação do arquétipo em si, seja privilegiada e elevada acima das outras passando, então, a ser utilizada para medir o grau de arquetipicidade das outras imagens. Essa concepção estreita de imagem faz com que algo só seja reconhecido como uma imagem arquetípica se aparecer de uma maneira personificada. Essa noção de arquétipo informada unilateralmente pela anima deixa de lado um amplo espectro de importantes fenômenos modernos, porque eles não se prestam a tal tipo de amplificação mítica. O estilo de pensamento imaginal baseado unilateralmente na anima não consegue enxergar as nuances das engrenagens internas desses fenômenos e, por isso, prefere ignorá-los. Nas poucas vezes que se debruça sobre eles a psicologia junguiana os imagina como novas versões de fenômenos do antigo mundo mítico e ignora as descontinuidades e as singularidades desses fenômenos. Uma noção de arquétipo regida pela sizígia como um todo levaria em consideração o animus, o logos, a lógica da própria noção de arquétipo liberando, então, essa noção da necessidade de aparecer personificada em um mitologema. Isso amplia os horizontes interpretativos da teoria, pois ela passa a enxergar melhor os detalhes de diversos aspectos que compõem os fenômenos modernos como, por exemplo, a iconoclastia, o mecanicismo, o desencantamento da natureza, a instrumentalidade científica e a disciplinarização do trabalho.

sábado, 6 de dezembro de 2014

E os primeiros sócios do Clube são...

São sócios do Clube não somente quem já tenha colaborado conosco, mas também aqueles que tenham agendado sua participação, seja expondo estudos em nossos eventos ou de outra forma.


Matilda (detalhe)
Su Blackwell, 2014
Em breve divulgaremos uma lista mais completa numa aba diferenciada, para facilitar a consulta. Porém, vamos adiantar os nomes dos comentadores de 2015: André Dantas, Neila Mesquita, Nistai Nascimento e Selene Mazza.

Quem gentilmente aceitou nosso convite para o evento inaugural foi Selene Mazza. Ela nos trará Sobre Sentimentos e a Sombra, uma das coletâneas de falas de C. G. Jung lançadas neste ano pela editora Vozes. É dia 16 de março, anote aí!

Depois, em maio, Neila Mesquita nos apresentará, de Marie-Louise von Franz, O Asno de Ouro. Paradoxalmente, o primeiro dos livros em que a suíça interpreta contos populares é também o último deles a nos chegar em português. O lançamento também foi este ano, pela Vozes.

No meio de setembro, Nistai Nascimento comentará O Mundo das Imagens, de Nise da Silveira. "Ouça" a voz de Fernando Diniz, sobre a efetividade do trabalho no ateliê terapêutico que frequentava: "Mudei para o mundo das imagens. Mudou a alma para outra coisa. As imagens tomam a alma da pessoa".

Finalmente, André Dantas fechará o ano com seu novo livro Dialética na Modernidade I. O lançamento, pela editora Clube dos Autores, é ano que vem e tudo indica que haverá sorteio de exemplares. Será que o sortudo ou a sortuda vai ser você? 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Bem vindo ao Clube!

Este é o blog de divulgação do Clube do Livro Junguiano, uma ação de extensão promovida pelo Círculo de Pesquisas sobre Lógica e Epistemologia das Psicologias da Universidade Federal do Ceará (CPLEP-UFC), com curadoria de Neila Mesquita e apoio de Nistai Nascimento, ambos psicólogos junguianos.

A ação vem a se configurar como um espaço dedicado à discussão de escritos junguianos, sejam de autoria do próprio Jung, de outros autores, ou mesmo textos sobre essas pessoas. 

O Clube iniciará suas atividades em 2015, mantendo eventos duas vezes por semestre, sempre em segundas-feiras, das 18:30 às 21h, no auditório Raquel de Queiroz, Centro de Humanidades II, Campus do Benfica, UFC.

Na ocasião, um profissional junguiano irá apresentar e comentar um texto de sua escolha, dialogando com os presentes. O formato e o conteúdo da explanação estão a critério de cada comentador e podem nos trazer gratas surpresas. O acesso ao público é livre e gratuito.

Entre nossos objetivos estão: estimular o hábito da leitura científica, o compartilhamento de dúvidas e a disposição para a pesquisa; apresentar ao público obras junguianas pouco conhecidas ou mais desafiadoras; renovar o interesse geral pelas obras mais populares e promover comentários de alguns autores sobre seus próprios escritos.

Fique atento e acompanhe a divulgação das nossas atividades.